Porque Ser Submissa é Tão Bom :3

Você me disse a regra antes de qualquer outra coisa, ainda vestida, ainda em pé, ainda no controle da minha própria respiração. Good girls don’t cum. Eu ri baixinho na hora, achei bonitinho, quase uma brincadeira. Não sabia que ia levar aquela frase tão a sério a ponto de ela virar a única coisa na minha cabeça uma hora depois, repetindo feito mantra enquanto meu corpo implorava o contrário.

Eu disse sim a tudo isso antes de começar, cada parte de mim concordou, e é por isso que eu consigo ficar aqui agora sem pensar em mais nada além de obedecer.

Você começou devagar, quase distraído, como se meu corpo fosse só um lugar qualquer pra apoiar a mão enquanto conversava sobre outra coisa. Eu sabia que não era distração nenhuma. Cada vez que sua mão passava perto de onde eu mais precisava, eu prendia a respiração, esperando, e cada vez você desviava um centímetro antes, só pra me ouvir soltar o ar frustrada. Você sorria com aquilo. Eu odiava e adorava esse sorriso na mesma medida.

Quando finalmente me tocou de verdade, eu quase esqueci a regra. Meu quadril subiu sozinho, procurando mais, e sua voz veio calma no meu ouvido: “Não. Ainda não.” Eu voltei pro colchão como se aquelas três palavras pesassem fisicamente sobre mim. É engraçado como duas sílabas conseguem me deixar mais molhada do que qualquer carícia.

Você me levou até a beira de novo, e de novo, e de novo. Eu perdi a conta de quantas vezes meu corpo inteiro se contraiu esperando a queda e você tirou a mão bem no instante em que tudo em mim gritava sim. Meus dedos apertavam o lençol, meus lábios repetiam baixinho “posso, posso, por favor” e você só observava, se divertindo com a bagunça que tinha virado o meu autocontrole. Uma boa garota aguenta. Uma boa garota espera. Eu tentava ser boa e ao mesmo tempo torcia pra ser fraca o suficiente pra você desistir de me testar.

Tem uma delícia particular em não decidir mais nada. Em não ter que pensar se posso, se devo, se é hora. Alguém decidiu por mim, e tudo que sobra é sentir. Minha mente parou de correr entre mil pensamentos do dia e ficou presa num único ponto: o próximo toque, se ele viria ou se ia parar de novo antes. Esse vazio, esse silêncio de não precisar controlar nada, é mais parecido com paz do que qualquer outra coisa que eu já senti sozinha.

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Você deve ter notado que eu já não conseguia mais formar frase inteira, porque foi aí que aproximou a boca do meu ouvido de novo, mais devagar dessa vez, e disse baixinho que eu tinha sido boa o suficiente. Que agora podia. Eu não acreditei de primeira, esperei a pegadinha, o mais um pouco, o ainda não de sempre. Não veio. Você só continuou, sem tirar a mão dessa vez, sem desviar, deixando que a onda que eu segurava esse tempo todo finalmente quebrasse.

Eu gozei feito quem estava presa há horas, porque estava. O corpo inteiro tremendo, a voz saindo em pedaços, e no meio daquilo só uma certeza: eu teria esperado o dobro do tempo se você pedisse. É essa a parte que ninguém avisa antes de experimentar. Não é a espera que dói. É a espera que ensina o corpo a sentir cada segundo de prazer como se fosse o primeiro.

Depois, deitada com sua mão ainda no meu peito sentindo meu coração descer do pico, entendi por que essa entrega vicia tanto. Não é sobre fraqueza. É sobre confiar em alguém o suficiente pra desligar o controle e descobrir que, do outro lado, ele cuida de mim melhor do que eu jamais cuidaria sozinha. Ser sua boa garota, hoje, foi a coisa mais libertadora que eu já senti.

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